Custa-me muito vir aqui publicamente reconhecê-lo, posso mesmo dizer que me custa horrores, mas tenho que o fazer, tenho que o admitir.
Este fim de semana tinha decidido fazer uma pequena loucura .....
....... mas FALHEI !!!!
A uma semana da Meia Maratona de Almada, tinha decidido fazer um treino ao qual chamei a "minha pequena loucura". A "minha", porque seria eu, seriam as minhas pernas que o iriam fazer; "pequena" porque ainda pode ser considerada pequena, para alguns, e será certamente pequena face ao que ainda aí vem; e "loucura" porque caíu completamente fora dos treinos para a Meia Maratona, que a uma semana de distância, impunha um treino de 10 kms a 12 kms.
Esta "minha pequena loucura" era pois então um treino feito em estrada, pelos montes do Distrito de Castelo Branco e que iria de Malpica do Tejo a Monforte da Beira, com regresso a Malpica do Tejo, perfazendo um total de 24 kms.
Malpica do Tejo
Seria um treino essencialmente para quebrar a barreira dos 21 kms, ou seja, para mostrar a mim mesmo que seria capaz de o fazer, que seria capaz de ir mais além. Há 2 semanas que andava a mentalizar-me para este treino e eis que chegada a Sexta-feira Santa era altura de o fazer.
Eu, antes do início do treino
Apesar de não estar muito calor para quem andasse a passear, dava para perceber que quando começasse o treino e estivesse a correr na estrada, parca de sombras, ao longo dos montes, o cenário ia ser bem diferente.
Às 17h15m estava pronto para iniciar a "minha pequena loucura", na companhia do meu Garmin e equipado a rigor com a camisola da Corrida dos Sinos, por cima de outra, porque esta ao ser flourescente aumentava a minha visibilidade ao circular na berma da estrada.
Para este treino levava apenas 500 ml de água e um gel, o que implicaria uma bos gestão, dado o calor que ainda se fazia sentir.
Começado o treino, o primeiro km foi um pouco rápido (5'43'') face ao que tinha previsto (6'22''), para perfazer os 24 kms em 2:33', talvez devido à excitação. Aproveitando que o novo Garmin não estava definido para o ritmo médio, mas sim para o ritmo da volta, os kms seguintes foram um pouco mais lentos, também porque já começara o sobe e desce constante, mas sempre abaixo dos 6' ao km, pois não conseguia, e isto pode parecer estúpido, correr mais devagar.
A 1ª subida
Mais uma subida .......
...... e outra subida.
À medida que o treino avançava começei a pensar comigo mesmo que quem faz 24 kms também faz 25 kms, pelo que o retorno iria assim passar a ser aos 12,5 kms.
Os primeiros 6 kms foram feitos a um ritmo confortável ainda que o calor começasse a apertar. Iria começar a entrar agora na parte do percurso que menos conhecia, pois só por uma vez tinha feito o percurso até ao cruzamento de Monforte (km 9). O alguim calor que se fazia sentir, o não soprar uma brisa e a falta de sombras já começavam a fazer sentir os seus efeitos.
Sombras .....
.... nem vê-las ....
... mas a paisagem é fabulosa
Ainda que algo cansado ao chegar ao cruzamento de Monforte, senti-me com forças para ir até Monforte e tentar o seu regresso.
Passado o cruzamento entrei na parte do percurso que para mim era totalmente deconhecida, e após uma breve descida o terreno começava a subir. Curva para a direita, curva para a esquerda, e continuava a subir. Nova curva e lá continuava a subir, e lá ia eu subida acima, sózinho com o contínuo e o descontínuo (os traços). Aquela subida parecia uma eternidade: 10 kms, 10,5 kms, 11 kms, 11,5 kms e nunca mais acabava, até que de repente o alto chega e começou a descida para Monforte (que no regresso seria uma subida).
Chegado a Monforte da Beira (12,5 kms) era tempo de parar, beber água pela primeira vez e tomar o gel. Neste momento estava com cerca de 4 minutos de avanço face ao tempo previsto. Decidi não desligar o cronómetro para tornar mais difíceis as coisas no regresso.
Monforte da Beira
Era altura do regresso e aquela que tinha sido a descida seria agora a primeira dificuldade, ainda que depois me esperasse uma descida. Neste momento estava com um ritmo bem mais lento e a pouco e pouco começei a fazer mais do que 6'22'' ao km e comecaria a ser difícil fazer os 24 kms em 2h33m, mas isso também não era o mais importante. Importante isso sim era passar os 21 kms.
Chegava ao cruzamento de Monforte e estava a 9 kms do final do treino. O ritmo era mais lento, as pernas pesavam, sobretudo nas subidas, o que ia tentando alternar nas descidas, mas o constante sobe e desce dificultava as coisas. Optei por andar sempre que bebia água, já que beber a correr é das coisas que ainda mais me custa coordenar: beber água e respirar enquanto corro.
Algumas imagens do percurso ...
Até aos 15 kms, ainda que cansado a coisa foi correndo bem, e diria mesmo que até aos 18 kms, mas a partir dos 19 kms começou a ser mais complicado aguentar o esforço e tive que lutar com as pernas a partir dos 21 kms por causa das caimbras. A pouco e pouco, a cada passo que dava, era cada vez mais frequente começar a sentir os músculos presos e a começar a surgir uma caimbra.
Fui gerindo e travando esta luta até ao km 22, tentando sempre evitar ter uma caimbra à séria, mas ao km 22 decidi que deveria parar, pois ainda teria várias subidas nos 3 kms que ainda faltavam, e daqui a uma semana iria ter uma Meia Maratona de sobe e desce em Almada.
Eu, quando já caminhava no fim do treino
E por fim.......
Malpica do Tejo!
(Foto tirada no dia seguinte)
Ainda assim, não tendo conseguido fazer o treino previsto de 24 a 25 kms, consegui fazer 22 kms duros de sobe e desce terminando sem caimbras, o que me aconteceu na última Meia Maratona que até era plana, e passei na meia maratona (ao kms 21,1) com 2h14'44'', apenas mais 44 segs do que em Dezembro, o que tendo em conta o percurso não foi mau tendo em conta a ter parado cerca de 3 minutos para hidratar (Monforte), para telefonar a avisar que estava de regresso e para tirar umas fotos.
Falhei o meu objectivo, mas ainda assim foi um bom ensaio. De notar que hoje, 2ª feira ainda tenho algumas dores nas pernas, nos quadricepes, mas penso que seja uma adaptação normal.